terça-feira, 1 de março de 2011

Pacto Social


O portal “Passos News” de 27/02 trás uma matéria que exige a atenção de todos nós. A matéria mostra que no intervalo de uma semana foram registrados três casos de homicídios e um suicídio consumado em Passos. A cada mês, as estatísticas criminais aumentam e a violência alcança níveis assustadores.
    
Se no passado outros foram omissos, se não cuidaram das questões sociais, da segurança, do abuso de álcool e drogas é evidente que nós estamos colhendo os amargos frutos da irresponsabilidade. Mas também não adianta ficar dizendo que a violência é um problema de segurança publica, da policia, da justiça ou da ausência de ações políticas dos nossos governantes.   Poder Publico e sociedade tem sua parcela de responsabilidade. 
       
O fato é que não podemos ficar calados, inertes, acomodados ou pessimistas com essa situação. Nós, representantes dos Poderes Públicos e sociedade não podemos mais adiar a adoção de ações coletivas para amenizar o problema, pois somos co-responsáveis quando cometemos o grave crime da omissão. Diante dessa realidade, estamos propondo a realização de um “Pacto Social” onde os Poderes Públicos (Executivo, Legislativo e Judiciário), o Ministério Publico, as representações dos setores organizados da sociedade: educação, indústria e comercio, saúde, as igrejas e todos os segmentos possam participar juntos na busca de soluções. 
       
É evidente que, entre as ações para diminuir a violência em Passos, é urgente e necessário combater de forma mais ostensiva o uso indiscriminado de álcool e outras drogas. A idéia do “Pacto Social” propõe, por exemplo, que os setores da educação, saúde e assistência social se reúnam para apresentar propostas de ação coletiva para a questão da prevenção e combate às drogas. Por outro lado, os órgãos de segurança, as policias civil e militar também deverão planejar junto as suas ações. 
        
Na questão do combate e prevenção às drogas, as igrejas, de todas as denominações e credos, têm poder incalculável de mobilização e ação que pode garantir resultados significativos. Se, refletirmos bem, cada pessoa, em cada localidade, seja no trabalho, na rua, na igreja ou no próprio lar pode pensar e trazer algo positivo para contribuir. 
Mas no “Pacto Social” a maior ação será sem dúvida a promoção da cultura da paz. Um especialista em cultura e paz disse que se a sociedade se mobilizasse em busca da paz do mesmo modo que se mobiliza para a guerra, seria facílimo extinguir a violência humana. 
       
Outro dia, no lançamento do inicio das obras da reforma do Mercado Municipal de Passos, falei que o mais importante não é a obra em si, mas a sua destinação voltada para a geração de trabalho e renda através do Centro de Economia Solidária. Pode até parecer que isso nada tenha a ver com a violência, mas tem. Quando a sociedade souber partilhar os espaços coletivos e distribuir bens e riquezas de maneira justa, teremos mais paz e menos violência. Naquele dia, pude lembrar a mensagem do maior especialista em cultura de paz que já conheci: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude”. 
         
Os casos de homicídio, o abuso de álcool e droga, a exclusão social que acontece em Passos trazem a péssima noticia da morte. A proposta do “Pacto Social” pretende trazer à tona a Boa Nova do Cristo, promovendo a paz e combatendo a violência.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

31 ANOS DO 13



Como é bom comemorar os 31 anos do Partido dos Trabalhadores e sentir o quanto crescemos e contribuímos para o desenvolvimento do nosso país, das nossas  cidades e da melhoria de vida de cada cidadão brasileiro. Em 1994, o Pedro Tierra escreveu o poema “Os Filhos da Paixão” que traduzia nossa caminhada: “Carregamos no peito, cada um, batalhas incontáveis. Somos a perigosa memória das lutas. Projetamos  a perigosa imagem do sonho. Nada causa mais horror à ordem do que homens e mulheres que sonham. Nós sonhamos e organizamos o sonho”. 
   
Assim o PT foi construído, na organização dos trabalhadores, nas prisões da ditadura militar, no coração e na garra de cada militante. Depois das derrotas pra Collor e FHC, nosso retirante nordestino, metalúrgico ganhou a presidência da república e o    
Partido dos Trabalhadores apresentou o seu sonho ao Brasil e ao mundo. Nos oito anos do Governo Lula o Brasil mudou conseguindo aliar crescimento econômico e desenvolvimento social. 
   
Agora é a vez da mulher brasileira assumir o comando. Dilma Rousseff é eleita quebrando vários tipos de preconceitos. A confiança do povo brasileiro no Governo Dilma é resultado da maturidade política. O pensamento político evolui. O populismo, as falsas promessas estão caindo por terra a cada dia e em todos os cantos do país aumenta o senso de responsabilidade da população no cuidado com a administração publica.
    
Realmente, temos muito a comemorar! Em nossa cidade de Passos, o Partido dos Trabalhadores decidiu romper horizontes. Em pleno Governo Lula, não podíamos continuar simplesmente assistindo tudo como se não tivéssemos nada a ver com isso. Não podíamos lavar as nossas mãos. Era preciso, ainda que com sacrifício, interferir na vida e na melhoria da nossa cidade. Decidimos apoiar e participar de um governo municipal. Vencemos e na parte que nos foi confiada temos a certeza de que estamos fazendo muito e o mais bonito é que estamos indo muito além, trabalhando coletivamente por nossa cidade. 
     
Hoje, a participação do Partido dos Trabalhadores à frente da Secretaria Municipal de Assistência Social traz como resultado uma verdadeira revolução. Colocamos um ponto final no assistencialismo barato que só servia para manter as pessoas dependentes de favores e invertemos a prática fazendo acontecer a promoção da cidadania e o desenvolvimento humano. Com criatividade e muita disposição para o trabalho estamos implantando a verdadeira política de assistência social, Trouxemos o IF Sul de Minas, apresentamos o projeto do Restaurante Popular, conseguimos os recursos para a reforma e revitalização do mercado municipal e estamos trabalhando diariamente para que essas obras sejam iniciadas. E logo vamos chegar lá porque sabemos que os sonhos se realizam quando acreditamos neles.
   
Nossa participação no governo municipal tem sido um aprendizado. Governar não é fácil, principalmente quando os recursos são poucos. Nesse aprendizado já ficou uma lição: é preciso ter coragem pra ser diferente e compromisso pra fazer a diferença. Palavras como desistir e até mesmo descansar foram riscadas do nosso vocabulário. Pra espantar nosso cansaço basta o olhar confiante de uma criança dizendo que o futuro nos espera e não podemos parar. 
     
Nos “31 anos do 13” deixamos nosso abraço a todos aqueles que de alguma forma construíram essa história e aos que se somam a nós porque aprenderam que o tempo para pra esperar. A benção, Dercio Andrade e Professor Osorinho Lemos que já não estão mais entre nós. Obrigado, Odair Cunha, Nilmário Miranda, Professor Dimas, André Quintão e tantas outras lideranças que se somam à nossa!
   

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Secretaria inicia Casa Lar em Passos

Além da Casa-Lar


A implantação da Casa Lar como serviço de proteção para crianças em risco social, vítimas de abandono, violência ou negligência em Passos é um avanço na política de assistência social. Tanto a Casa Lar, quanto as Famílias Acolhedoras, quando bem estruturados, conseguem garantir a proteção social das nossas crianças e adolescentes.
    
É preciso deixar claro, que proteção social não tem nada a ver com trancar  crianças e adolescentes dentro de um local habitável. A Casa Lar, medida alternativa ao abrigo deve garantir a convivência familiar e comunitária e este é o nosso principal desafio. 
    
Garantir o direito à convivência comunitária significa que as crianças e adolescentes, na Casa Lar deverão freqüentar a escola, creche, programas de inclusão social, ir ao médico, dentista, e, principalmente, ir ao cinema, ao futebol, ao parque de diversões, ter acesso aos programas de lazer, ter amigos e tudo aquilo que dá sentido à existência humana. Proteger significa contribuir para que a criança e o adolescente possam pertencer à sua comunidade e se desenvolver com ser humano, sem constrangimentos, sem olhares preconceituosos, sem qualquer tipo de discriminação. 
     
Infelizmente, muitas vezes, as crianças e adolescentes vítimas do abandono e da violência acabam sendo tratados pela sociedade e pelo poder publico como se fossem culpados da situação em que se encontram. Nesse processo, passamos a julgá-los  sabendo que eles não são culpados de nada. Na verdade, eles são vítimas, foram abandonados, é isso!
    
Conscientes dessa situação de abandono ou violência nosso papel é afastá-los do risco social e protegê-los. Essa é uma parte da história, que devemos cuidar com maestria. A outra parte égarantir o direito à convivência familiar. 
    
Em primeiro lugar, a Casa Lar deve se constituir como uma família em caráter excepcional e temporário, mas é preciso ser uma família. Sempre digo que as mães ou educadores sociais que trabalham numa Casa Lar têm que ter vocação e acima de tudo, amar o que fazem. O amor ao próximo descrito no primeiro mandamento que faz de todos nós uma família. 
    
Além da convivência na Casa Lar, como numa família, é imprescindível ir à causa do problema. É preciso conhecer os motivos das situações de violência, abandono e negligência familiar a que as crianças e adolescentes foram submetidas. Nessa hora, certamente, vamos chegar aos mais graves problemas sociais que são: o uso de drogas como o álcool e o crack por parte dos pais, o desemprego, as precárias condições de moradia, a total desinformação, fatores que na maioria das vezes provocam a desestrutura de uma família.  
    
Para garantir o direito à convivência familiar da criança e do adolescente é preciso resgatar a família desestruturada. São pais ou mães dependentes químicos que   precisam ser tratados, jovens que precisam ser orientados, gente que precisa de trabalho.  Aí entra a importância da rede de serviços públicos (saúde, assistência social, educação, habitação) e a parceria da sociedade civil. Posso afirmar ainda que há muitos casos que a responsabilização dos pais também deve ser rígida para que possam refletir, tomar atitudes e até procurar ajuda.  
     
Há muitos anos ouvi uma musica do P. Zezinho que dizia: “E eu queria somente lembrar que milhões de crianças sem lar. São frutos do mal que floriu num país que jamais repartiu”. Triste realidade. Mas, se  as administrações públicas tem a coragem de criar Casas Lares, Caps AD, e se famílias se dispõe a ser acolhedoras, nasce dentro de nós uma nova esperança no repartir o pão e o amor fraterno. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Águas de Janeiro


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
   
As águas de janeiro devastaram a casa onde, no princípio dos anos 1970, o músico Tom Jobim  compôs a música “Águas de Março. Até agora, são 670 mortos, quase 14 mil desabrigados só na região serrana do Rio de Janeiro. A catástrofe chama a atenção do mundo inteiro por ter sido um fenômeno raro e avassalador que sequer deu chance às pessoas de se protegem, mas também denuncia a gravidade da  ocupação desordenada do solo urbano.  O cenário é dramático, uma guerra cujas armas foram sendo colocadas pelo próprio homem. 
    
A catástrofe na região serrana do Rio de Janeiro foi causada por um tipo de deslizamento considerado raro e avassalador por geólogos. Além do escorregamento de terra, a tragédia foi agravada por um fenômeno chamado de corrida de lama e detritos. É quando uma série de deslizamentos acontece ao mesmo tempo, no mesmo lugar, e tão rápido que praticamente impede que as pessoas se protejam. Trata-se da maior magnitude de escorregamento de terra possível. 
     
"É bom sempre frisar que a responsabilidade não deve ser creditada a fenômenos como o aquecimento global ou a imprevistos geológicos e pluviométricos. Tudo que tem acontecido está associado à desordenada ocupação urbana de áreas geologicamente inadequadas", disse Álvaro Rodrigues dos Santos, ex-diretor de Planejamento e Gestão do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). E aí todos tem culpa, quem ocupa e quem não fiscaliza.
     
No desespero, as pessoas tentam cavar a terra à unha para encontrar familiares. O país inteiro se mobiliza para ajudar e a solidariedade é une o país. Entre os twiteiros uma mensagem interessante: ”Não gaste telefone eliminando algum candidato do BBB nesta semana.Converta esse valor, doando para as pessoas que perderam tudo”. 
      
2011 traz para nós uma importante reflexão sobre o meio ambiente. Na minha cidade a chuva fina e mansa permite que as pessoas durmam tranquilamente e sonhem com um mundo melhor. São seis horas, da manhã. Na esquina da Padaria em Passos, vejo duas senhoras revirando contêineres de lixo, catando materiais recicláveis. Até quando nós, que integramos o Poder Público faremos de conta que estas cenas não existem? Até quando nós, sociedade continuaremos de braços cruzados? O nosso lixo é o luxo de muitas pessoas. Quase tudo o que vai para os aterros e traz danos ambientais, se separado, reciclado,  pode se tornar a sobrevivência salário, limpeza urbana e sobrevivência de muita gente.
    
No meio das águas que rolam, nem ricos nem pobres foram poupados. Condomínios de luxo e favelas. E Jobim cantou: “É o mistério profundo, é o queira ou não queira”. Lembrei de um trecho da Carta do Chefe Seatle, escrita em 1854 ao presidente dos Estados Unidos: “"De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará".  Creio que já não precisávamos mais de avisos. Que ouçamos o recado das águas de janeiro.

Humanização no serviço público

Você já imaginou se as pessoas, que atuam no serviço publico, pudessem fazer uma pausa para refletir sobre a consciência da sua missão no seu espaço de trabalho e as conseqüências disso na sua vida e na vida do outro? Afinal de contas, o que justifica o trabalho é o dinheiro, o salário a receber ou a oportunidade que se tem para a construção do ser humano, do ser que trabalha e do ser que depende do seu trabalho?
    
Pensando nesta realidade, a Secretaria Municipal de Assistência Social realizou no dia 13 de janeiro de 2011 um importante momento de reflexão sobre a humanização no serviço público. Nesta hora em que a maioria das pessoas tira férias, os funcionários da Semas estão sendo convocados para uma pausa coletiva, pouco mais de uma hora para pensar e refletir sobre a ação de cada um no trabalho diário.
      
Para quem trabalha no serviço publico, é fácil perceber quando alguém que chega precisa apenas de um pouco de atenção. Nesse momento, a solução pode estar na sensibilidade do servidor publico ao ouvir e indicar o caminho. Nas vezes em que o problema é urgente, aí o que vale mesmo é agir de todas as formas possíveis para buscar uma solução. 
     
Injustificável é omitir. A omissão, em qualquer área traz graves conseqüências. Na área social a omissão é um dos piores crimes, pois contribui para aumentar a violência e a criminalidade. Sempre digo que a omissão na proteção de crianças e adolescentes, por exemplo, pode ter como conseqüência a existência do menor infrator. O menor desprotegido, mal acolhido fatalmente se torna um menor agressor e, quando adulto, o marginal. Daí a importância da ação preventiva, daí a importância do trabalho sério e comprometido do servidor publico. A humanização no serviço publico implica na atuação profissional que impede qualquer ato de omissão.
      
Difícil mesmo, no serviço publico, é quando a burocracia emperra tudo. Ai, fazer o quê? É preciso cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, a licitação número tal e a demora é fatal! E quanta demora! Ministério Publico de olho e Judiciário atento. No Legislativo eis a questão: ser ou não ser oposição. Em cada lugar, em cada espaço de poder, cada um que trabalha é um servidor publico e não pode se esquecer que acima da autoridade está o servir. Aí cabe a responsabilidade de agir coletivamente, em sintonia buscando construir a grande obra que é o ser humano. 
      
Gosto quando vejo os bons resultados de um trabalho humanizador. Como é bom sentir o brilho nos olhos, o sorriso no rosto de quem atende e de quem é atendido. E aí eu fico com a mensagem de Charles Chaplin no “Ultimo Discurso”: “Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu oficio. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar, se possível, judeus, o gentio, negros, brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros. Nesse mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos...Lutemos por um mundo novo...um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice”.
       
Nossa luta por um mundo novo acontece no dia a dia, lembrando sempre o recado de Chaplin de que não somos máquinas, mas somos pessoas, com sentimento, alma e coração. A humanização das ações no trabalho, na família e na sociedade é o que dá sentido à nossa existência.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PRA COMEÇAR 2011


Pra mim, o ano velho terminou com uma linda lição. De repente, surge uma garotinha à porta da Secretaria de Assistência Social. “Eu posso falar com o Auro Maia?” pergunta. Rapidamente, ela é convidada a entrar e, com desenvoltura, expõe os motivos de sua visita. “Olha o assunto é muito sério. Sério mesmo! Minha tia tem grave problema de visão. É miopia sabe...”
    
Em poucos instantes, a menina de apenas 11 anos de idade relatou a história da tia e a luta para conseguir o encaminhamento através do serviço público.  “Olha, faz um ano que ela está tentando e não consegue e agora disseram que não vai ter jeito. Quando minha tia me falou sobre o problema eu prometi que iria ajudá-la e que isso não iria ficar assim”.
     
No decorrer de sua fala, ela faz uma revelação: “Sabe, eu tenho um grande sonho, estudar numa escola particular”. “Bom, mas o senhor vai ajudar a resolver o problema da minha tia?”. Respondi que a assistente social iria fazer uma visita e os encaminhamentos possíveis para atendê-la. “Mas quando é que o senhor vai me dar uma resposta”. “Hoje mesmo visitaremos sua tia, qual é o telefone da sua casa?”. E ela me passou o número de um celular: “É meu celular, é feinho, mas é meu”. “Bom então eu vou ficar aguardando um retorno seu”. E saiu sozinha, caminhando como uma pessoa que tem uma clara visão de cidadania. 
      
Juliana e eu ficamos impressionados com a capacidade de argumentação e o conhecimento daquela criança. É raro ver até num adulto tamanha clareza, firmeza e convicção. Na correria da vida, nós adultos tantas vezes deixamos de acreditar em nós mesmos, nos nossos sonhos e somos tentados a desistir. Ainda mais no cansaço do final de ano. E a garotinha veio trazer o recado: “Não importa o tamanho do problema é preciso fazer de tudo para resolvê-lo”. 
      
2011 bate a nossa porta como uma criança ansiosa por tornar melhor a vida de todos. Cabe a nós receber o Ano Novo sem temor, sem receio de lutar e ir, seja aonde for, para alcançar esse objetivo. Nós cidadãos, independente da posição que ocupamos na sociedade, precisamos procurar os meios necessários para que possamos solidária e coletivamente viver melhor, conscientes de que, se cada um fizer a sua parte, muito será possível. Nós, representantes do Poder Publico temos por obrigação ouvir, avaliar, correr atrás para resolver. Afinal de contas, é para servir que estamos no poder.
      
O cansaço do ano que termina faz parte do passado, algumas pendências, dificuldades previstas, tudo parece ameno, novas possibilidades surgem e o mais importante é que é preciso continuar, realizar nossos sonhos, porque a qualquer hora uma criança vai bater à nossa porta: “Posso falar com o senhor? O assunto é muito sério...”
     
Seu nome? Tainara. Por curiosidade busquei o significado: “De origem indígena, variante de Taiguara. O Liberto. Muita compaixão e amor pra dar, é capaz de passar a vida fazendo o bem pelas pessoas, chega até a se esquecer que também é uma pessoa que pode precisar de receber ajuda e amor”. Imagine se todo mundo pudesse ser Tainaras e Taiguaras.
      
Lembrei-me das músicas do Taiguara, cantor e compositor, símbolo da resistência à censura durante a ditadura militar. “Lá onde eu estive o sonho acabou, cá onde eu te encontro só começou. Lá colhi uma estrela pra te trazer, bebe o brilho dela até entender que eu preciso, eu preciso de você. Nós precisamos sim, você de mim, eu de você”. Teu sonho não acabou, linda música, bom pra começar 2011. Por que o sonho das crianças não pode acabar!   

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pra terminar 2010



Natal 2010. Joguei fora a vaidade, botei uma dessas roupas de Papai Noel e saí, com o amigo Chiquinho, distribuindo presentes. Como é bonito sentir a alegria das crianças ao ver o “Bom Velhinho”. Era menino saindo correndo das casas, fazendo os pais pararem o carro só pra ver de perto o velho de barbas brancas. Sorrisos sinceros, quantos abraços apertados! De repente, uma senhora pergunta se fazíamos entrega no dia de Natal.  
   
Respondi que não, que aquele passeio na véspera era só uma brincadeira. Chiquinho, na sua natural solidariedade, perguntou onde era. E já estávamos com o primeiro endereço de entrega para a Noite de Natal. Numa esquina do bairro Santa Luzia, duas meninas entregaram suas cartinhas: “Papai Noel, meu sonho é ganhar uma linda boneca”. Durante três horas, andamos pelos bairros, visitando crianças e amigos num gostoso clima de festa.
    
Chega o Dia de Natal. Durante a tarde acompanhei Abelardo, na Associação dos Moradores do Jardim Canadá e Itália, na entrega dos presentes. Eram crianças e presentes que não acabavam mais. Carro som na frente, Luiz Barbara, levava Luciano como Papai Noel. Que festa!
     
À noite, tempo de cumprir os compromissos. Desta vez, minhas filhas me acompanharam nas visitas. A criançada corria, puxava a barba pra ver se era verdade. Visitamos Leidhy, que acolhe em seu lar seis crianças vitimas de abandono. Na rua era o alvoroço da meninada. Em cada porta uma criança, uma paradinha do Papai Noel. Bati à porta da residência de uma idosa amiga, que sem entender o que se passava, me  abraçava dizendo: “Pelo menos alguém se lembrou de mim”. E no abraço carinhoso sentia-lhe as lágrimas descendo. Na casa do lado, as crianças saiam correndo, na casa da esquina, uma menininha, bem pequeninha, se mandou pra debaixo da cama. Chegamos à casa dos pedidos de boneca. Aí um problema: recebemos apenas duas cartinhas, mas na varanda da casa eram muito mais crianças. Enquanto chamamos as duas pelo nome, o restante escrevia mais cartas. “Corre que dá certo!”
      
Um pouco mais à noite, Chiquinho recebia uma família carente para cear em sua casa, e Ednardo foi o ajudante nas entregas. Tínhamos que cumprir mais compromissos firmados na noite anterior. Horário combinado, presentes na mão, a porta se abre, olhinhos brilhantes, a garotinha diz, num lindo sorriso: “É Papai Noel!” E de repente estávamos ali fazendo parte da festa de uma família que nunca tínhamos visto antes. Depois, o telefone toca e era outra encomenda. Desta vez, um garotinho que fez a festa.       
        
Tive que sentar com ele e brincar. No mundo daquelas crianças tudo era verdade, era paz, sinceridade. No dia seguinte fiquei surpreso. Aqueles olhinhos puros, a inocência e alegria de cada criança, a lágrima do idoso, tantos sentimentos bons inundaram minha alma e permaneceram comigo. Esse era o meu precioso presente, verdadeira lição pra que eu pudesse aprender o sentido do Natal.
      
E o aniversário de Jesus tinha que ser coroado. À noite fui com Susana, minha esposa, no culto dominical da Primeira Igreja Presbiteriana de Passos. Gosto de ir aos cultos ali, pois, mais que orações, sinto a presença do Cristo em cada música, em cada mensagem, no jeito diferente de falar com Ele que aquela comunidade tem. Desta vez, foi um verdadeiro espetáculo artístico de música, dança e teatro. “Picadeiro”, espetáculo apresentado pela “Cia das Artes” levava a mensagem de Jesus, o grande presente de Deus, que veio ao mundo para que todos nós tenhamos vida, sejamos iguais, sem discriminação, sem ódio, sem preconceito. 


Vem aí o réveillon! Vou vestir de coragem para transformar estruturas e ter como ajudantes a fé, o amor, a esperança, pra ser criança de novo e com pureza, alegria e sinceridade tornar o ano realmente novo.

    

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Se o Natal Não Fosse Um Dia

Tudo seria bem melhor se o Natal não tivesse sido transformado nessa exploração social e econômica que nos faz esquecer a realidade do menino Jesus que nasceu pobre "envolto em panos e deitado numa manjedoura" (Lc 2,20), e nos curvarmos à ganância do lucro, lógica de um sistema que nos afasta cada vez mais do Deus que se fez homem e veio justamente para destruir o egoísmo, a hipocrisia e a injustiça.

Se o Natal não fosse um dia, não precisaríamos revelar, no fim do ano, o amigo oculto, pois os amigos seriam visíveis, verdadeiros e transparentes. Estariam a nossa espera a qualquer momento, e em vez de trocar presentes, trocaríamos bens que não podem ser vendidos, nem comprados, como o companheirismo e a fraternidade. Seriam dispensáveis os cartões de Natal se vivêssemos no dia-a-dia, as mensagens que neles propagamos. Nossas atitudes seriam os melhores votos e felicitações. 

Se o Natal não fosse um dia, os corais entoariam cânticos para acalentar o Cristo Salvador que nasceria todos os dias nos corações humanos. Não haveria necessidade de pisca-piscas e enfeites, se deixássemos que a luz de Deus entrasse o ano todo em nossas casas, nosso trabalho, nosso viver. Tería­mos um brilho diferente se estivéssemos sempre aber­tos para que a sabedoria divina governasse nossas vidas, nossa cidade, nosso país. 
   
Se o Natal não fosse um dia, não existiriam as ceias em que alguns bebem, comem e vomitam para comer mais enquanto milhões morrem ao ano por não ter nada para comer. Não haveria campanhas do Natal para os pobres. Esmolas seriam desnecessárias. Nem os ricos precisariam sair pela perife­ria doando as sobras de suas fartas ceias. Todos se sentariam à mesma mesa, partilhando o "Pão Nosso de cada dia", os bens da terra, os frutos do trabalho. 
   
Se o Natal não fosse um dia, nos envergonharíamos ao contemplar no presépio, Jesus na manjedoura, enquanto durante o ano todo viramos o rosto para tantos que nascem e vivem na pobreza. Não encontraríamos tantos Josés e tantas Marias expulsos de sua terra, sem um chão para plantar ou colher, enquanto alguns senhores não sabem o que fazer com tanta terra concentrada nas mãos.
    
Se o Natal não fosse um dia, não assistiríamos passivamente o extermínio de tantas crianças, jovens e adolescentes, vítimas das drogas. Não se mataria para roubar ou para sobreviver, se vivêssemos o Natal todos os dias do ano, se nos considerássemos irmãos.
   
Se o Natal não fosse um dia, meu irmão, Geraldo Augusto, você e tantos outros que foram assassinados pela perversidade desse sistema, certamente estari­am aqui, vivendo mais um dia em que o presente seria o abraço fraterno e igualdade. 
    
Se o Natal não fosse dia, não nos limitaríamos a lavar nossas mãos e dizer, como Pilatos, que nada temos a ver com tudo isso.      


Natal não é um dia, é um renascer constante que acontece em gestos e atitudes e nos faz lembrar, como o poeta, que fomos feitos "para a esperança no mila­gre, para a participação na poesia, para ver a face da morte. De repente, nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem, da morte, apenas nascemos imensa­mente".
    
Jesus nasceu, morreu e ressuscitou. E você vai continuar aí parado? Corra, dê um abraço, perdoe e deseje Feliz Natal, mas viva essa realidade durante todos os dias do Ano.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

IV Feira Sul Mineira de Economia Solidária: Integração e Fortalecimento



É difícil descrever a emoção que tomou conta de todos, expositores, visitantes e apoiadores,  durante os quatro dias da IV Feira Sul Mineira de Economia Solidária realizada na Praça Geraldo da Silva Maia em Passos. Repleta de tendas vermelhas, a praça se tornou uma aldeia onde reinou o espírito de solidariedade, calor humano e integração que, na prática, traduz os princípios da economia solidária.
   
Esse ambiente era tão bom, que o pessoal que chegava de longe para expor seus produtos, vindos das associações de artesãos de Varginha, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Andradas, Carmo do Rio Claro, Itajubá, Caldas, Formiga, Santa Rita do Sapucaí, São José da Barra, Lambari, Conceição do Rio Verde, Areado, Fortaleza de Minas, Alfenas e Boa Esperança e produtos da agricultura familiar de Córrego Fundo e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Guapé e Campo do Meio, quis antecipar o inicio da Feira para a tarde do dia 09. Na manhã do dia seguinte todos estavam lá, na Casa da Cultura, para a oficina de capacitação que despertava a vontade de se formar uma base solida para quem faz a economia solidária. Na praça, as pessoas que já aguardavam a reabertura das barracas. A Abertura oficial acontecia com a apresentação da garotada do Capp, Centro de Aprendizagem Pro-Menor de Passos. Um verdadeiro show cultural. 
    
O ir e vir das pessoas visitando as tendas, apreciando o belíssimo artesanato do sul de Minas era mesmo impressionante. Tudo muito lindo e de qualidade. Todos os expositores elogiavam a hospitalidade do povo passense. Cada pessoa que visitou levou a melhor impressão da hospitalidade passense. Tudo foi perfeito: atendimento, hospedagem, alimentação, transporte e sonorização. 
       
No calorão dos quatro dias, em que a chuva deu uma trégua para que a feira acontecesse, o que não faltou foi água para o pessoal das tendas. A Equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social fez plantão na praça para que nada faltasse.  As barracas de Pastel, Pamonha, Pão de Queijo e Doces compuseram a Praça de Alimentação e ficaram lotadas. Os brinquedos, os outros produtos que sempre ficam ali na praça completavam o lazer das crianças e da família.  Nada foi alterado e  a harmonia tomou conta da Praça do Rosário. As famílias podiam passear sem preocupação. Pais e filhos, amigos se encontrando, sorriso no rosto, paz no coração. A praça voltou a ser.
      
As apresentações culturais foram o show à parte. Brilhante abertura com a garotada do Grupo de Dança Space Dancy e demais alunos do CAPP (Centro de Aprendizagem Pró-Menor de Passos). A dupla sertaneja Bruno César e Tiago, grande revelação passense. Babe Grilo fez uma bela apresentação da mais genuína Música Popular Brasileira. O Grupo de Seresta Nossa Senhora da Penha encantou e emocionou a platéia dando um verdadeiro show com quase duas horas de seresta. Alex Souza (cantor passense) e Diko Califórnia (artesão e cantor) de Pouso Alegre, o Terno de Moçambique da Coroa do Menino Jesus e a Folia de Reis da Coroa de São Benedito representando o folclore e encerrando a Banda Abduz Idduz fez o show da tarde com muito pop rock da maior qualidade. 
      
Foram realizadas duas oficinas de capacitação abrangendo o conceito, organização legal de empreendimentos, centro publico de economia solidária. As oficinas foram organizadas pelo IF Sul de Minas, Sebrae e Fórum Sul Mineiro de Economia Solidária.  Indicações importantes como a estruturação das regionais do Fórum Sul Mineiro, (Itajubá, Pouso Alegre, Alfenas, Poços de Caldas, Varginha e Passos), a realização de Feiras Regionais, a necessidade de promover  formação e capacitação,  implantação das leis municipais, a participação no Conselho Estadual e no movimento nacional, mostram que a Economia Solidária saiu fortalecida.

Algo novo e diferente



Muita gente ainda não conseguiu perceber, outros ouviram falar e não  se importaram,  muitos até pensam que é fácil falar, mas acham muito difícil executar, colocar em prática.Há os que dizem que é coisa de igreja progressista, outros falam que é coisa de comunista.
    
Há os que acreditam na proposta e abraçam. São aqueles que se opõe ao individualismo e a competição desenfreada e  insistem em valorizar os princípios da coletividade, transparência e solidariedade. Essa gente não se entrega nunca e faz acontecer a economia solidária.
    
Paul Singer diz a “a economia solidária é uma utopia, é um sonho que nós temos sonhado há duzentos anos, é uma idéia de uma sociedade de iguais. Há duzentos anos pelo menos, grandes intelectuais, filósofos, empresários e lideranças populares viveram e morrem para uma sociedade de iguais, democrática no sentido de os direitos  de todos serem iguais, mas que haja igualdade econômica, igualdade social. A proposta da economia solidária é aplicar isso à economia”. 
    
"Eu tenho um sonho..de que um dia minhas quatro crianças pequenas viverão numa nação onde eles não serão julgados pela cor da sua pele mas pela essência do seu caráter.", discursava Martin Luther King. Naquele momento, o que estava em jogo, na luta entre o Norte anti-escravista e o Sul escravagista, era a possibilidade, ou não, de uma sociedade estabelecida nos princípios da igualdade poder sobreviver na terra. Era a economia solidária aplicada à vida. 
     
A economia solidária é representada por um conjunto de iniciativas inspiradas em valores humanos que coloca o ser humano como sujeito no processo da vida e da atividade econômica, em vez da acumulação de capital. Isso pressupõe mudanças importantes no mundo do trabalho, incentivando a igualdade, a democracia, a cooperação a solidariedade e a qualidade nas relações no trabalho. Compreende uma grande diversidade de práticas econômicas e sociais - de produção, distribuição, finanças, trocas, comércio, consumo, poupança e crédito - organizadas sob a forma de autogestão.
     
No mundo em que vivemos milhares de pessoas procuram garantir a sua sobrevivência através do trabalho coletivo, sem destruir a natureza, sem o excessivo consumismo. No campo ou na cidade eles fazem a economia solidária. Na minha cidade, um grupo de catadores de materiais recicláveis se uniu e criou a Cocares, associação dos catadores. Artesãos, agricultores, apicultores, costureiras, cada grupo em sua categoria vai se juntando para fazer algo novo e diferente. Minas Gerais prepara em dezembro deste ano, a realização de 10 feiras regionais de economia solidária. No pais, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária articula o grande movimento que se constitui como alternativa ao desemprego gerando renda e cidadania. 
     
Nos dias 10,11 e 12 de dezembro, em Passos, a Praça Geraldo da Silva Maia, popular Praça do Rosário, vai se transformar na 4ª Feira Sul Mineira de Economia Solidária. Essa gente que sonha e faz o sonho acontecer, gente que muitas vezes fica esquecida pelos cantos, nos bairros, sem oportunidade. Essa gente vai mostrar o que faz e se capacitar para fazer melhor. O local da Feira foi escolhido por eles mesmos, pelos artesãos, pelos economistas solidários. Novos projetos, novas experiências, novas oportunidades, algo de novo e diferente vai acontecer. Uma nova semente será lançada e, cultivada com solidariedade, vai crescer, gerar novas consciências.

Casa Lar e Famílias Acolhedoras



 “A criança e o adolescente tem o direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais publicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”
    
A efetivação das políticas sociais não é tarefa simples. Depende de vontade política, estudos técnicos, preparação, de uma burocracia danada e de muita dedicação e amor. O final de 2010 traz para a Secretaria Municipal de Assistência Social a oportunidade de iniciar a efetivação de duas modalidades de abrigamento provisório de crianças e adolescentes que são a Casa Lar e Família Acolhedora. 
   
A Casa Lar será uma residência comum, com mães sociais e auxiliares que cuidarão das crianças e adolescentes acolhidas. As Famílias Acolhedoras também são famílias comuns, cadastradas, selecionadas e preparadas para receber crianças e adolescentes que tenham seus direitos ameaçados ou violados, que estejam em situação de risco social ou familiar.
     
Diferente do tradicional abrigo, a Casa Lar deve receber um número limitado de crianças e adolescentes de maneira que o acolhimento seja o menos traumático possível. O fundamental é que a criança e o adolescente percebam que estão vivendo num lar onde os laços afetivos, carinho, aconchego prevaleçam.  É muito fácil entender porque a nossa Constituição destaca a criança e melhor. 
    
É comum receber, quase que diariamente, denuncias de crianças e adolescentes que são vitimas de abandono, abuso e negligência familiar. No entanto, a ação para acolhê-los e protege-los dessa situação deve ser imediata. A partir do momento em que governo e sociedade abraçam a causa da criança e do adolescente protegendo e garantindo condições dignas de existência é possível promover um presente e um futuro melhor. Somente a ação preventiva pode evitar a existência de menores e adultos infratores.
    
A Família Acolhedora é uma família que acolhe, na sua própria residência, uma criança vitima de abandono ou em risco social. Esse acolhimento deve ser aceito por todos os membros da família e deve atender a criança em todos os aspectos: legais, de saúde, higiene, alimentação, educação, lazer, vestuário, de modo a estabelecer um vinculo positivo que ajude a criança a se sentir cuidada e amada.
    
Tanto na Casa Lar quanto na Família Acolhedora existe uma equipe técnica de apoio com profissionais (assistente social, psicólogo, advogado) que dão suporte à criança, ao adolescente, às famílias que acolhem e às famílias de origem.
    
Neste momento a Secretaria Municipal de Assistência Social está dando prosseguimento às etapas de implantação da Casa Lar e Família Acolhedora. Primeiro foi a aprovação da Lei Municipal, definido o local, divulgado o processo seletivo para contratação das mães e auxiliares que trabalham na Casa Lar, formação, estudo e preparo da equipe técnica, divulgação do projeto e seleção das famílias acolhedoras. Cada passo já está sendo tomado pela Equipe da Secretaria de Assistência Social para que em dezembro nossas crianças tenham garantido o sagrado direito da proteção social.

Projeto de Vida

“As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas. Ame-as mesmo assim. Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos. Tenha sucesso mesmo assim. O bem que você faz será esquecido amanhã. Faça o bem mesmo assim. A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável. Seja honesto e franco mesmo assim. Aquilo que você levou anos para construir pode ser destruído de um dia para o outro. Construa mesmo assim. O pobre tem verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns podem ofendê-lo se você os ajudar. Ajude-os mesmo assim. Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar. Dê o que você tem de melhor mesmo assim. Veja que no final das contas, é entre você e Deus. Nunca foi entre você e as outras pessoas”.
    
Às vezes, quando assisto a um filme, leio um livro ou uma poesia, gosto de compartilhar as cenas e frases que ficam na memória. Hoje à noite, reuni a família para assistir a vida de Madre Teresa de Calcutá. Que belo exemplo de abnegação e dedicação aos mais pobres dos pobres. Se fossem se deixar levar pelo pensamento da maioria, se fossem desistir nas primeiras dificuldades, se fossem aceitar as intimidações dos preconceituosos, pessoas como Madre Teresa nunca teriam levado adiante os seus projetos. Mas a grande a verdade é que todas as ações que fogem dos padrões individualistas da sociedade comum, sempre são taxadas de interesseiras e vistas como sendo promoção pessoal. Pior ainda é quando envolvido nessas ações existe alguém que exerce uma função política.
     
As pessoas desconfiam, julgam e denunciam. Pode até parecer que não, mas é natural que alguém que você tenta ajudar, leve você à justiça comum. Portanto quem se dispõe a ajudar alguém não pode ter medo do que os outros dizem nem se intimidar com as forças contrárias. Para alguém que se propõe a fazer o bem comum não existe tempo para o medo ou dúvida. O importante é fazer! 
     
Uma das cenas marcantes de “Madre Tereza” foi a repercussão da descoberta de  uma grande doação em dinheiro que seu orfanato recebeu veio de um empresário corrupto. Ao entrevistá-la, o repórter pergunta se ela estava preparada para devolver todo aquele dinheiro. Madre Teresa simplesmente mostra as crianças do orfanato e diz: “O dinheiro doado está aqui, nessas crianças, pode levá-las”. Ela não teria como saber sobre a origem do dinheiro doado, no entanto, esse episódio foi apenas um entre tantos outros que poderiam fazê-la desistir. Para estar dentro das normas da sociedade, ela teve mesmo que tomar as devidas providências legais, criar uma organização não governamental, ver destruído o trabalho feito por falta de uma autorização municipal e recomeçar sempre com um sorriso.   
    
Todos os dias surgem à nossa frente pessoas dispostas a fazer o bem, ajudar os mais pobres dos pobres promovendo o resgate da dignidade humana. No seu encalço sempre existirão pessoas criticando, julgando, denunciando, dizendo que é promoção pessoal. Tudo isso é parte da história. Quem tem a consciência tranquila segue em frente, na certeza de que Deus precisa de instrumentos, que queiram ser lápis para escrever sua história aqui na Terra.   
     
Pra finalizar quero lembrar o trecho de uma música do Padre. Zezinho que marcou minha adolescência: “Eu venho aqui pedir perdão, se por acaso mereci, sofrer tamanha ingratidão quando eu pensei sempre ajudar. Mas quem não entendeu fui eu, que se esqueceu quem foi Jesus, que fez um bem maior que o meu e mesmo assim morreu na cruz”. Quem tem um projeto de vida faz acontecer. Não importa o que os outros digam ou pensem, pois no final das contas “é entre você e Deus, nunca foi entre você e as pessoas”. 
    

IV Feira Sul Mineira de Economica Solidária


 Acontecerá nos dias 09, 10,11 e 12 de dezembro em Passos, a 4ª Feira Sul Mineira de Economia Solidária, evento que vai reunir artesãos, agricultores familiares, apicultores, artistas, catadores de papel e trabalhadores reunidos em associações, cooperativas e grupos informais de todo o sul de Minas.
    

Já faz um bom tempo que tenho acompanhado a organização dos trabalhadores em Economia Solidária. Descobri o tema durante uma greve dos trabalhadores da indústria de alimentos. Na época, fiquei sabendo que na cidade de Franca, alguns empregados assumiram a gestão de uma empresa que estava à beira da falência e conseguiram recuperá-la. Anos depois, participei do 1º Encontro Estadual “Lixo e Cidadania” em Belo Horizonte. 
    
No encontro ouvi uma fala que mudou minha maneira de olhar as pessoas e a vida. Era Dona Geralda, catadora de papel da Asmare (Associação dos Catadores de Papel de BH). Dona Geralda dizia que morou com sua família durante 25 anos debaixo dos viadutos da capital mineira e sempre era acordada com os jatos d água do pessoal da limpeza que os eliminava do local.
    
Certo dia, ela foi abordada pelos agentes da Pastoral de Rua da Arquidiocese de BH. E ela relatava a fala de uma agente: “A senhora sabe que cada tonelada de papel que a senhora recolhe são 25 árvores que deixam de ser cortadas?” E dona Geralda respondeu: “Puxa, então quantas florestas já preservei em toda minha vida?”. Depois de dar iniciar aos trabalhos da Asmare, Dona Geralda foi à ONU (Organização das Nações Unidas) receber um prêmio de preservação ambiental. Dos viadutos de BH para a ONU. Hoje, Dona Geralda dá cursos para prefeitos do Brasil inteiro sobre a importância da organização dos serviços de limpeza urbana e inclusão social. Já tive orgulho de receber Dona Geralda em minha casa. Pessoas como ela dão mais sentido à nossa passagem pelo planeta Terra.
     
Dona Geralda não ficou sozinha, se reuniu com catadores de BH na Asmare. Aqui em Passos, há dez anos criamos a Cocares e uma parte dos catadores de Passos está organizada. Essa é a tal da Economia Solidária, um grupo de pessoas se une para ganhar o seu sustento através do trabalho, partilhando valores como a cooperação, solidariedade e autogestão. 
    
Não é nada fácil implantar a     Economia Solidária. É preciso abri mão do individualismo e da competição insana do capital que incentiva o lucro acima da vida. A Economia Solidária exige mudança de cultura e hábitos. É mesmo um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o meio ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio. 
     
Em 2010, a Economia Solidária foi tema da Campanha da Fraternidade com o lema: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. A 4ª Feira Sul Mineira de Economia Solidária é fruto concreto de uma sociedade diferente que começa a ser construída no sul de Minas. Já foram realizadas três feiras: Alfenas, Varginha e Pouso Alegre. Chegou a vez de Passos receber essa gente que trabalha e produz coletivamente e que faz desse trabalho coletivo o sustento de suas famílias, chegou a hora de Passos valorizar os seus artesãos, agricultores, pasteleiros, moveleiros, apicultores, catadores, artistas e toda essa gente que faz acontecer uma economia que cresce junto com a vida.
     
As inscrições para a 4ª Feira Sul Mineira de Economia Solidária estão abertas na Secretaria Municipal de Assistência Social até o dia 16 de novembro. Para maiores informações sobre como participar e contribuir para a realização da Feira, basta ligar ou enviar um e.mail para: semas@passos.mg.gov.br ou 35-3522-7446.           

Povo que é povo mesmo


Foi o povo que é povo mesmo, que trabalha de sol a sol nas lavouras, os operários das construções, as costureiras, os retireiros, os balconistas, os atendentes. Esse povo representou a expressiva votação de Dilma e merece a nossa homenagem.    
    
Noite de segunda Feira, 01 de novembro, acabo de chegar de uma minicarreata que com alguns militantes do PT em comemoração à vitória de Dilma. Um grupo de pessoas decidiu ir ao coração dos bairros da cidade, agradecer às pessoas que garantiram a vitória de Dilma. Mesmo com chuva, a carreta partiu do bairro Santa Luzia, foi ao Coimbras, seguindo pela Penha, na antiga rua do Valinho, hoje Imaculada Conceição, no São Francisco, a popular Rocinha, Nossa Senhora das Graças e lá no meio do Novo Horizonte. Caminho que estamos acostumados a fazer sempre, mas que tinha que ser feito agora de forma especial para agradecer a expressiva votação de Dilma. 
    
Foi bonito demais ver o sorriso estampado no rosto daquelas pessoas e o aplauso pra Dilma que a carreata recebia. Nesses lugares está o povo simples e trabalhador, o povo que sofre por causa do preconceito e da discriminação. Na carreata comecei a entender melhor a votação de Dilma. 
    
Esse povo voltou Dilma pra valer! Foi mesmo um verdadeiro massacre nas urnas. Votou porque sua candidatura representava a continuidade do projeto político do presidente Lula, que deu certo e melhorou a vida de muita gente. Votou porque viu em Dilma a expressão da liberdade e da consciência. Ao chegar em casa, deparei com o poema de Pedro Tierra, “500 anos esta noite”. Eis aí a melhor explicação:
    
“De onde vem essa mulher que bate à nossa porta 500 anos depois? Reconheço esse rosto estampado em pano e bandeiras e lhes digo: vem da madrugada que acendemos no coração da noite. De onde vem essa mulher que bate às portas do país dos patriarcas em nome dos que estavam famintos e agora tem pão e trabalho? Reconheço esse rosto e lhes digo: vem dos rios subterrâneos da esperança, que fecundaram o trigo e fermentaram o pão. De onde vem essa mulher que apedrejam, mas não se detém, protegida pelas mãos aflitas dos pobres que invadiram os espaços de mando? Reconheço esse rosto e lhes digo: vem do lado esquerdo do peito. Por minha boca de clamores e silêncios ecoe a voz da geração insubmissa para contar sob o sol da praça, aos que nasceram e aos que nascerão, de onde vem essa mulher. Que rosto tem, que sonhos traz? Não me falte agora a palavra que retive ou que iludiu a fúria dos carrascos durante o tempo sombrio que nos coube combater. Filha do espanto e da indignação, filha da liberdade e da coragem, recortado o rosto e o riso como centelha: metal e flor, madeira e memória. No continente de esporas de prata e rebenque, o sonho dissolve a treva espessa, recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho, afasta a força que sufoca e silencia séculos de alcova, estupro e tirania e lança luz sobre o rosto dessa mulher que bate às portas do nosso coração. As mãos do metalúrgico, as mãos da multidão inumerável moldaram na doçura do barro e no metal oculto dos sonhos a vontade e a têmpera para disputar o pais. Dilma se aparta da luz que esculpiu seu rosto ante os olhos da multidão para disputar o país, para governar o país”. 
    
Lendo o poema passeei pela história do meu país. Nesses 500 anos de exploração que o Brasil sofreu, faz só 76 anos que a mulher conquistou o direito ao voto. Hoje Dilma é a primeira mulher a assumir o comando da nação. A ditadura, tempo que é impossível esquecer, faz parte do passado. Viva a democracia, viva a consciência. 
    
Mais uma vez a carreata não terminou seu trajeto por causa do horário, ainda faltam outros bairros pra gente agradecer. Mas vamos estar sempre lá, nas nossas ações políticas, no encontro com esse povo que é povo mesmo.