sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PRA COMEÇAR 2011


Pra mim, o ano velho terminou com uma linda lição. De repente, surge uma garotinha à porta da Secretaria de Assistência Social. “Eu posso falar com o Auro Maia?” pergunta. Rapidamente, ela é convidada a entrar e, com desenvoltura, expõe os motivos de sua visita. “Olha o assunto é muito sério. Sério mesmo! Minha tia tem grave problema de visão. É miopia sabe...”
    
Em poucos instantes, a menina de apenas 11 anos de idade relatou a história da tia e a luta para conseguir o encaminhamento através do serviço público.  “Olha, faz um ano que ela está tentando e não consegue e agora disseram que não vai ter jeito. Quando minha tia me falou sobre o problema eu prometi que iria ajudá-la e que isso não iria ficar assim”.
     
No decorrer de sua fala, ela faz uma revelação: “Sabe, eu tenho um grande sonho, estudar numa escola particular”. “Bom, mas o senhor vai ajudar a resolver o problema da minha tia?”. Respondi que a assistente social iria fazer uma visita e os encaminhamentos possíveis para atendê-la. “Mas quando é que o senhor vai me dar uma resposta”. “Hoje mesmo visitaremos sua tia, qual é o telefone da sua casa?”. E ela me passou o número de um celular: “É meu celular, é feinho, mas é meu”. “Bom então eu vou ficar aguardando um retorno seu”. E saiu sozinha, caminhando como uma pessoa que tem uma clara visão de cidadania. 
      
Juliana e eu ficamos impressionados com a capacidade de argumentação e o conhecimento daquela criança. É raro ver até num adulto tamanha clareza, firmeza e convicção. Na correria da vida, nós adultos tantas vezes deixamos de acreditar em nós mesmos, nos nossos sonhos e somos tentados a desistir. Ainda mais no cansaço do final de ano. E a garotinha veio trazer o recado: “Não importa o tamanho do problema é preciso fazer de tudo para resolvê-lo”. 
      
2011 bate a nossa porta como uma criança ansiosa por tornar melhor a vida de todos. Cabe a nós receber o Ano Novo sem temor, sem receio de lutar e ir, seja aonde for, para alcançar esse objetivo. Nós cidadãos, independente da posição que ocupamos na sociedade, precisamos procurar os meios necessários para que possamos solidária e coletivamente viver melhor, conscientes de que, se cada um fizer a sua parte, muito será possível. Nós, representantes do Poder Publico temos por obrigação ouvir, avaliar, correr atrás para resolver. Afinal de contas, é para servir que estamos no poder.
      
O cansaço do ano que termina faz parte do passado, algumas pendências, dificuldades previstas, tudo parece ameno, novas possibilidades surgem e o mais importante é que é preciso continuar, realizar nossos sonhos, porque a qualquer hora uma criança vai bater à nossa porta: “Posso falar com o senhor? O assunto é muito sério...”
     
Seu nome? Tainara. Por curiosidade busquei o significado: “De origem indígena, variante de Taiguara. O Liberto. Muita compaixão e amor pra dar, é capaz de passar a vida fazendo o bem pelas pessoas, chega até a se esquecer que também é uma pessoa que pode precisar de receber ajuda e amor”. Imagine se todo mundo pudesse ser Tainaras e Taiguaras.
      
Lembrei-me das músicas do Taiguara, cantor e compositor, símbolo da resistência à censura durante a ditadura militar. “Lá onde eu estive o sonho acabou, cá onde eu te encontro só começou. Lá colhi uma estrela pra te trazer, bebe o brilho dela até entender que eu preciso, eu preciso de você. Nós precisamos sim, você de mim, eu de você”. Teu sonho não acabou, linda música, bom pra começar 2011. Por que o sonho das crianças não pode acabar!   

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pra terminar 2010



Natal 2010. Joguei fora a vaidade, botei uma dessas roupas de Papai Noel e saí, com o amigo Chiquinho, distribuindo presentes. Como é bonito sentir a alegria das crianças ao ver o “Bom Velhinho”. Era menino saindo correndo das casas, fazendo os pais pararem o carro só pra ver de perto o velho de barbas brancas. Sorrisos sinceros, quantos abraços apertados! De repente, uma senhora pergunta se fazíamos entrega no dia de Natal.  
   
Respondi que não, que aquele passeio na véspera era só uma brincadeira. Chiquinho, na sua natural solidariedade, perguntou onde era. E já estávamos com o primeiro endereço de entrega para a Noite de Natal. Numa esquina do bairro Santa Luzia, duas meninas entregaram suas cartinhas: “Papai Noel, meu sonho é ganhar uma linda boneca”. Durante três horas, andamos pelos bairros, visitando crianças e amigos num gostoso clima de festa.
    
Chega o Dia de Natal. Durante a tarde acompanhei Abelardo, na Associação dos Moradores do Jardim Canadá e Itália, na entrega dos presentes. Eram crianças e presentes que não acabavam mais. Carro som na frente, Luiz Barbara, levava Luciano como Papai Noel. Que festa!
     
À noite, tempo de cumprir os compromissos. Desta vez, minhas filhas me acompanharam nas visitas. A criançada corria, puxava a barba pra ver se era verdade. Visitamos Leidhy, que acolhe em seu lar seis crianças vitimas de abandono. Na rua era o alvoroço da meninada. Em cada porta uma criança, uma paradinha do Papai Noel. Bati à porta da residência de uma idosa amiga, que sem entender o que se passava, me  abraçava dizendo: “Pelo menos alguém se lembrou de mim”. E no abraço carinhoso sentia-lhe as lágrimas descendo. Na casa do lado, as crianças saiam correndo, na casa da esquina, uma menininha, bem pequeninha, se mandou pra debaixo da cama. Chegamos à casa dos pedidos de boneca. Aí um problema: recebemos apenas duas cartinhas, mas na varanda da casa eram muito mais crianças. Enquanto chamamos as duas pelo nome, o restante escrevia mais cartas. “Corre que dá certo!”
      
Um pouco mais à noite, Chiquinho recebia uma família carente para cear em sua casa, e Ednardo foi o ajudante nas entregas. Tínhamos que cumprir mais compromissos firmados na noite anterior. Horário combinado, presentes na mão, a porta se abre, olhinhos brilhantes, a garotinha diz, num lindo sorriso: “É Papai Noel!” E de repente estávamos ali fazendo parte da festa de uma família que nunca tínhamos visto antes. Depois, o telefone toca e era outra encomenda. Desta vez, um garotinho que fez a festa.       
        
Tive que sentar com ele e brincar. No mundo daquelas crianças tudo era verdade, era paz, sinceridade. No dia seguinte fiquei surpreso. Aqueles olhinhos puros, a inocência e alegria de cada criança, a lágrima do idoso, tantos sentimentos bons inundaram minha alma e permaneceram comigo. Esse era o meu precioso presente, verdadeira lição pra que eu pudesse aprender o sentido do Natal.
      
E o aniversário de Jesus tinha que ser coroado. À noite fui com Susana, minha esposa, no culto dominical da Primeira Igreja Presbiteriana de Passos. Gosto de ir aos cultos ali, pois, mais que orações, sinto a presença do Cristo em cada música, em cada mensagem, no jeito diferente de falar com Ele que aquela comunidade tem. Desta vez, foi um verdadeiro espetáculo artístico de música, dança e teatro. “Picadeiro”, espetáculo apresentado pela “Cia das Artes” levava a mensagem de Jesus, o grande presente de Deus, que veio ao mundo para que todos nós tenhamos vida, sejamos iguais, sem discriminação, sem ódio, sem preconceito. 


Vem aí o réveillon! Vou vestir de coragem para transformar estruturas e ter como ajudantes a fé, o amor, a esperança, pra ser criança de novo e com pureza, alegria e sinceridade tornar o ano realmente novo.

    

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Se o Natal Não Fosse Um Dia

Tudo seria bem melhor se o Natal não tivesse sido transformado nessa exploração social e econômica que nos faz esquecer a realidade do menino Jesus que nasceu pobre "envolto em panos e deitado numa manjedoura" (Lc 2,20), e nos curvarmos à ganância do lucro, lógica de um sistema que nos afasta cada vez mais do Deus que se fez homem e veio justamente para destruir o egoísmo, a hipocrisia e a injustiça.

Se o Natal não fosse um dia, não precisaríamos revelar, no fim do ano, o amigo oculto, pois os amigos seriam visíveis, verdadeiros e transparentes. Estariam a nossa espera a qualquer momento, e em vez de trocar presentes, trocaríamos bens que não podem ser vendidos, nem comprados, como o companheirismo e a fraternidade. Seriam dispensáveis os cartões de Natal se vivêssemos no dia-a-dia, as mensagens que neles propagamos. Nossas atitudes seriam os melhores votos e felicitações. 

Se o Natal não fosse um dia, os corais entoariam cânticos para acalentar o Cristo Salvador que nasceria todos os dias nos corações humanos. Não haveria necessidade de pisca-piscas e enfeites, se deixássemos que a luz de Deus entrasse o ano todo em nossas casas, nosso trabalho, nosso viver. Tería­mos um brilho diferente se estivéssemos sempre aber­tos para que a sabedoria divina governasse nossas vidas, nossa cidade, nosso país. 
   
Se o Natal não fosse um dia, não existiriam as ceias em que alguns bebem, comem e vomitam para comer mais enquanto milhões morrem ao ano por não ter nada para comer. Não haveria campanhas do Natal para os pobres. Esmolas seriam desnecessárias. Nem os ricos precisariam sair pela perife­ria doando as sobras de suas fartas ceias. Todos se sentariam à mesma mesa, partilhando o "Pão Nosso de cada dia", os bens da terra, os frutos do trabalho. 
   
Se o Natal não fosse um dia, nos envergonharíamos ao contemplar no presépio, Jesus na manjedoura, enquanto durante o ano todo viramos o rosto para tantos que nascem e vivem na pobreza. Não encontraríamos tantos Josés e tantas Marias expulsos de sua terra, sem um chão para plantar ou colher, enquanto alguns senhores não sabem o que fazer com tanta terra concentrada nas mãos.
    
Se o Natal não fosse um dia, não assistiríamos passivamente o extermínio de tantas crianças, jovens e adolescentes, vítimas das drogas. Não se mataria para roubar ou para sobreviver, se vivêssemos o Natal todos os dias do ano, se nos considerássemos irmãos.
   
Se o Natal não fosse um dia, meu irmão, Geraldo Augusto, você e tantos outros que foram assassinados pela perversidade desse sistema, certamente estari­am aqui, vivendo mais um dia em que o presente seria o abraço fraterno e igualdade. 
    
Se o Natal não fosse dia, não nos limitaríamos a lavar nossas mãos e dizer, como Pilatos, que nada temos a ver com tudo isso.      


Natal não é um dia, é um renascer constante que acontece em gestos e atitudes e nos faz lembrar, como o poeta, que fomos feitos "para a esperança no mila­gre, para a participação na poesia, para ver a face da morte. De repente, nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem, da morte, apenas nascemos imensa­mente".
    
Jesus nasceu, morreu e ressuscitou. E você vai continuar aí parado? Corra, dê um abraço, perdoe e deseje Feliz Natal, mas viva essa realidade durante todos os dias do Ano.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

IV Feira Sul Mineira de Economia Solidária: Integração e Fortalecimento



É difícil descrever a emoção que tomou conta de todos, expositores, visitantes e apoiadores,  durante os quatro dias da IV Feira Sul Mineira de Economia Solidária realizada na Praça Geraldo da Silva Maia em Passos. Repleta de tendas vermelhas, a praça se tornou uma aldeia onde reinou o espírito de solidariedade, calor humano e integração que, na prática, traduz os princípios da economia solidária.
   
Esse ambiente era tão bom, que o pessoal que chegava de longe para expor seus produtos, vindos das associações de artesãos de Varginha, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Andradas, Carmo do Rio Claro, Itajubá, Caldas, Formiga, Santa Rita do Sapucaí, São José da Barra, Lambari, Conceição do Rio Verde, Areado, Fortaleza de Minas, Alfenas e Boa Esperança e produtos da agricultura familiar de Córrego Fundo e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Guapé e Campo do Meio, quis antecipar o inicio da Feira para a tarde do dia 09. Na manhã do dia seguinte todos estavam lá, na Casa da Cultura, para a oficina de capacitação que despertava a vontade de se formar uma base solida para quem faz a economia solidária. Na praça, as pessoas que já aguardavam a reabertura das barracas. A Abertura oficial acontecia com a apresentação da garotada do Capp, Centro de Aprendizagem Pro-Menor de Passos. Um verdadeiro show cultural. 
    
O ir e vir das pessoas visitando as tendas, apreciando o belíssimo artesanato do sul de Minas era mesmo impressionante. Tudo muito lindo e de qualidade. Todos os expositores elogiavam a hospitalidade do povo passense. Cada pessoa que visitou levou a melhor impressão da hospitalidade passense. Tudo foi perfeito: atendimento, hospedagem, alimentação, transporte e sonorização. 
       
No calorão dos quatro dias, em que a chuva deu uma trégua para que a feira acontecesse, o que não faltou foi água para o pessoal das tendas. A Equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social fez plantão na praça para que nada faltasse.  As barracas de Pastel, Pamonha, Pão de Queijo e Doces compuseram a Praça de Alimentação e ficaram lotadas. Os brinquedos, os outros produtos que sempre ficam ali na praça completavam o lazer das crianças e da família.  Nada foi alterado e  a harmonia tomou conta da Praça do Rosário. As famílias podiam passear sem preocupação. Pais e filhos, amigos se encontrando, sorriso no rosto, paz no coração. A praça voltou a ser.
      
As apresentações culturais foram o show à parte. Brilhante abertura com a garotada do Grupo de Dança Space Dancy e demais alunos do CAPP (Centro de Aprendizagem Pró-Menor de Passos). A dupla sertaneja Bruno César e Tiago, grande revelação passense. Babe Grilo fez uma bela apresentação da mais genuína Música Popular Brasileira. O Grupo de Seresta Nossa Senhora da Penha encantou e emocionou a platéia dando um verdadeiro show com quase duas horas de seresta. Alex Souza (cantor passense) e Diko Califórnia (artesão e cantor) de Pouso Alegre, o Terno de Moçambique da Coroa do Menino Jesus e a Folia de Reis da Coroa de São Benedito representando o folclore e encerrando a Banda Abduz Idduz fez o show da tarde com muito pop rock da maior qualidade. 
      
Foram realizadas duas oficinas de capacitação abrangendo o conceito, organização legal de empreendimentos, centro publico de economia solidária. As oficinas foram organizadas pelo IF Sul de Minas, Sebrae e Fórum Sul Mineiro de Economia Solidária.  Indicações importantes como a estruturação das regionais do Fórum Sul Mineiro, (Itajubá, Pouso Alegre, Alfenas, Poços de Caldas, Varginha e Passos), a realização de Feiras Regionais, a necessidade de promover  formação e capacitação,  implantação das leis municipais, a participação no Conselho Estadual e no movimento nacional, mostram que a Economia Solidária saiu fortalecida.

Algo novo e diferente



Muita gente ainda não conseguiu perceber, outros ouviram falar e não  se importaram,  muitos até pensam que é fácil falar, mas acham muito difícil executar, colocar em prática.Há os que dizem que é coisa de igreja progressista, outros falam que é coisa de comunista.
    
Há os que acreditam na proposta e abraçam. São aqueles que se opõe ao individualismo e a competição desenfreada e  insistem em valorizar os princípios da coletividade, transparência e solidariedade. Essa gente não se entrega nunca e faz acontecer a economia solidária.
    
Paul Singer diz a “a economia solidária é uma utopia, é um sonho que nós temos sonhado há duzentos anos, é uma idéia de uma sociedade de iguais. Há duzentos anos pelo menos, grandes intelectuais, filósofos, empresários e lideranças populares viveram e morrem para uma sociedade de iguais, democrática no sentido de os direitos  de todos serem iguais, mas que haja igualdade econômica, igualdade social. A proposta da economia solidária é aplicar isso à economia”. 
    
"Eu tenho um sonho..de que um dia minhas quatro crianças pequenas viverão numa nação onde eles não serão julgados pela cor da sua pele mas pela essência do seu caráter.", discursava Martin Luther King. Naquele momento, o que estava em jogo, na luta entre o Norte anti-escravista e o Sul escravagista, era a possibilidade, ou não, de uma sociedade estabelecida nos princípios da igualdade poder sobreviver na terra. Era a economia solidária aplicada à vida. 
     
A economia solidária é representada por um conjunto de iniciativas inspiradas em valores humanos que coloca o ser humano como sujeito no processo da vida e da atividade econômica, em vez da acumulação de capital. Isso pressupõe mudanças importantes no mundo do trabalho, incentivando a igualdade, a democracia, a cooperação a solidariedade e a qualidade nas relações no trabalho. Compreende uma grande diversidade de práticas econômicas e sociais - de produção, distribuição, finanças, trocas, comércio, consumo, poupança e crédito - organizadas sob a forma de autogestão.
     
No mundo em que vivemos milhares de pessoas procuram garantir a sua sobrevivência através do trabalho coletivo, sem destruir a natureza, sem o excessivo consumismo. No campo ou na cidade eles fazem a economia solidária. Na minha cidade, um grupo de catadores de materiais recicláveis se uniu e criou a Cocares, associação dos catadores. Artesãos, agricultores, apicultores, costureiras, cada grupo em sua categoria vai se juntando para fazer algo novo e diferente. Minas Gerais prepara em dezembro deste ano, a realização de 10 feiras regionais de economia solidária. No pais, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária articula o grande movimento que se constitui como alternativa ao desemprego gerando renda e cidadania. 
     
Nos dias 10,11 e 12 de dezembro, em Passos, a Praça Geraldo da Silva Maia, popular Praça do Rosário, vai se transformar na 4ª Feira Sul Mineira de Economia Solidária. Essa gente que sonha e faz o sonho acontecer, gente que muitas vezes fica esquecida pelos cantos, nos bairros, sem oportunidade. Essa gente vai mostrar o que faz e se capacitar para fazer melhor. O local da Feira foi escolhido por eles mesmos, pelos artesãos, pelos economistas solidários. Novos projetos, novas experiências, novas oportunidades, algo de novo e diferente vai acontecer. Uma nova semente será lançada e, cultivada com solidariedade, vai crescer, gerar novas consciências.